São Paulo ganha um São Paulo
Desde o último domingo, o Apóstolo Paulo (Tarso 9 dC – Roma 64 dC) está vigiando a Praça da Sé. Sua presença ali, em forma de imponente estátua modelada em bronze pelo escultor Murilo Sá Toledo poderá mexer com a imaginação dos paulistanos que passam por ali. E o motivo se deve a um segundo monumento ali perto, na mesma praça, de outro apóstolo, o jesuíta José de Anchieta ( Tenerife 1534 – Anchieta (ES) 1597), esculpido também no bronze por Heitor Usai.
Não é difícil imaginar que ambos a qualquer momento, iniciarão suas pregações para a Cidade, a partir do seu coração. Não riam, por favor, pois os dois têm uma profunda afinidade no seu apostolado: procuraram converter gentios. José, os índios; Paulo, os pagãos distribuídos pelo mundo conhecido de então, leia-se império romano. Além disso, a dupla está intimamente ligada à história da Cidade, circunstância que, ao olhar dos que tem fé, os faz zelar por todos seus moradores e chamar-lhes às falas caso façam coisas inconvenientes. A rigor, esse encontro demorou 455 anos para acontecer.
A inauguração da estátua de Paulo faz parte das comemorações do Ano Paulino instituído pelo Vaticano para lembrar os 20 séculos da trajetória do apóstolo. A propósito, anteontem, na cerimônia de encerramento dos festejos, o Papa Bento XVI confirmou oficialmente que os restos mortais abrigado na Basílica de Extramuros, em Roma, até então atribuídos a Saulo, são de fato do santo-apóstolo. É oportuno recordar a traumática conversão de Saulo. Judeu e, ao mesmo tempo, cidadão romano de família bem posta, tornou-se perseguidor dos cristãos no século I. No caminho de Damasco (Síria) foi ofuscado por uma luz intensa que lhe roubou a arrogância e o remeteu à lembrança de Santo Estevão, cuja morte a pedradas por ser cristão ele havia assistido. Passou de perseguidor a perseguido.
As informações sobre a figura física de Paulo se restringem a documentos considerados apócrifos, isto é, sem autenticidade comprovada. Conforme essas informações, embora robusto, seria um homem baixote. Entretanto no cotejo em bronze com Anchieta, leva vantagem nesse tópico. Juntando seu pedestal, chega a 4,30m de altura no total, enquanto José fica nos quatro metros rasos. Os documentos também o descrevem como ligeiramente calvo e cabeça grande que se equilibrava sobre pernas arqueadas. Não faria sucesso na Globo.
Fonte: Diário do Comércio