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Setembro/2014 - Fábio Steinberg

Rebelião nas poltronas

Em nome do lucro, companhias aéreas de todo o mundo têm instalado nas aeronaves cada vez mais assentos na mesma área. Às custas da extração de polegadas entre as fileiras, ou da instalação de banheiros menores, virou praxe adicionar até dez poltronas a mais por avião.

Está esgotado o arsenal de ilusionismo, como redesenhar as poltronas para dar a impressão de maior espaço, encolher ou simplesmente eliminar os bolsões traseiros para guardar revistas e objetos pessoais, ou ainda reduzir o tamanho das mesinhas para refeições. Só falta contratar comissários bem pequenos para a cabine parecer que cresceu, mas felizmente ninguém fez isto até hoje. Agora a batalha se concentrou nos últimos resquícios de conforto a bordo: os joelhos e cotovelos dos passageiros.

Reclamação número 1 de qualquer pesquisa com viajantes, o espaço apertado entre assentos atende pelo nome de Pitch. Não se trata de uma pessoa, mas sim de um termo técnico que define a distância entre as poltronas da frente e traseira. Quanto mais pitch, mais espaço existe. Na classe econômica, ele varia de mínimas 28 até generosas 38 polegadas, mas a média fica em exíguas 31 polegadas. Quem paga o pato são os joelhos, principalmente se o passageiro da frente inclinar o banco para trás. Ou então os cotovelos, em especial de quem senta no meio, se não for ágil o suficiente para invadir de imediato os encostos de braço direito e esquerdo da poltrona.

A verdade é que a indústria da aviação criou um monstro. Os assentos das aeronaves não foram desenhados para acomodar muito bem o corpo humano, diante da diversidade de formas e tamanhos. A avaliação é de especialistas em design, como Kathleen Robinette, da Universidade de Oklahoma: “Simplesmente as poltronas não se ajustam a nós”, resume. Ela lembra que ao espremer passageiros entre si aumentam as chances de transmitir vírus, do resfriado a doenças sérias. E que o confinamento em poltronas apertadas leva desde dores nas costas até riscos sérios de trombose nas pernas causada pela falta de movimento por horas seguidas.

Se esta questão soa déjà vu para a maioria dos viajantes, o mesmo não se pode dizer de um fenômeno desagradável a bordo cada vez mais comum. São brigas entre passageiros que brigam pelo espaço, o que já provocou, principalmente nos Estados Unidos, vários pousos não previstos. Segundo a IATA, associação das aéreas do mundo, nos últimos três anos houve um incidente a cada 1.300 voos. As disputas pelo território no ar não se limitam aos lugares, mas também aos compartimentos de bagagem e armários para casacos. Um dos provocadores deste stress é um apetrecho que custa só US$ 22, cabe no bolso e é conhecido como “knee defender” (defensor de joelho). Preso à mesinha, impede que o passageiro à frente recline a poltrona. O slogan do produto diz tudo: “O direito de alguém reclinar a poltrona termina onde o seu joelho começa”. Pelo sim, pelo não, empresas norte-americanas como a Spirit e Allegiant adotaram uma solução digna de avestruz. Simplesmente extinguiram a inclinação das poltronas de seus aviões.

Imagem: Michael Nagle / The New York Times


  • Fábio Steinberg

    Fábio Steinberg

    Jornalista, Foi Executivo de Comunicação na IBM, AT&T, HILL & KNOWLTON e Rede Globo

*Carioca radicado em Sao Paulo, é jornalista, consultor em comunicação empresarial e autor dos livros Ficções Reais, Viagens de Negócios e O Maestro. Escreve em diversas publicações e mídias sociais sobre viagens, carreira, negócios e comportamento.

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