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Junho/2014 - Fábio Steinberg

O que Big Data tem a ver com viagens?

Diariamente turbilhões de informações digitais explodem pelo Facebook, que por si viabiliza a cada minuto 280 mil novas mensagens e 1,8 milhão de likes (curtições). Some-se a esse pandemônio de dados os gerados pelo LinkedIn, Trip Advisor, Amazon e tantas outras mídias sociais. Desconexas e desestruturadas, até parecem inúteis à primeira vista. Nada mais falso. Atrás dessa poluição verbal, esconde-se um tesouro. Nele, estão acumuladas opiniões e emoções que, organizadas e tratadas com inteligência, refletem tendências de comportamento que podem se transformar em fonte inesgotável de pesquisa.

O que tem isto a ver com viagens, turismo e negócios? Tudo! Afinal, este é um setor onde predomina o subjetivismo, fator intangível, mas capaz de provocar erros e afetar negócios. Por fugir a regras científicas de mensuração precisa, turismo é campo fértil para o “achômetro”, amadorismo e procriação de falsos profetas. Avaliações erradas podem levar hotéis, companhias aéreas, agências, empresas a decisões equivocadas.

“Todos os dias pessoas de todas regiões, classes e idades expressam-se espontaneamente, criando um termômetro de suas vidas, no momento em que as coisas acontecem. Big Data é a habilidade de tratar dados de forma adequada e responsável”. Quem explica é o consultor Cézar Taurion, um dos maiores especialistas brasileiros em tecnologia e larga experiência em transformação digital nas empresas. Ele revela ser possível através de algoritmos não apenas entender os hábitos de viagem, mas também avaliar sentimentos gerais a partir de experiências refletidas nas mídias sociais.

A grande questão é como as empresas podem utilizar as mídias sociais e recursos de gestão de Big Data para aprimorar reputações e obter melhorias operacionais. “Existe muita curiosidade e ainda pouca ação, pois o desconhecimento do Big Data é elevado”, comenta Taurion. Para fazer pleno uso deste conceito, é preciso atender aos 4 V: volume, variedade, velocidade e veracidade. Lidar com grande volume de dados não é novidade, pois isto já ocorre na Astronomia, Climatologia e Física. Para facilitar o acesso às informações, a boa notícia é que 98% dos dados do mundo já estão em formato digital. Administrar a variedade é o segundo desafio. Os dados são gerados por diversas fontes e em geral desestruturados. Hoje cerca de 20% deles são válidos para análise, um percentual deve crescer para 35% em 2020. Em terceiro lugar, vem a velocidade de processamento, pois os dados perdem valor com o tempo. Por exemplo, para entender tendências os tuítes têm maior significado no momento em que surgem. Finalmente, vem a veracidade: é preciso extrair ouro do cascalho, separando apenas o que interessa e agrega valor.

Este é apenas o início de uma grande transformação. “Como o telescópio permitiu compreender o universo e o microscópio abriu a fronteira para conhecer os germes, o Big Data trará uma nova maneira de sentir o mundo à nossa volta”, conclui Taurion.


  • Fábio Steinberg

    Fábio Steinberg

    Jornalista, Foi Executivo de Comunicação na IBM, AT&T, HILL & KNOWLTON e Rede Globo

*Carioca radicado em Sao Paulo, é jornalista, consultor em comunicação empresarial e autor dos livros Ficções Reais, Viagens de Negócios e O Maestro. Escreve em diversas publicações e mídias sociais sobre viagens, carreira, negócios e comportamento.

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