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Maio/2014 - Fábio Steinberg

Sabonete do bem

Uma ideia simples, mas poderosa, começa a salvar a vida de milhões de pessoas necessitadas. Veio de Derrek Kayongo, que chegou a viver em um campo de refugiados em Uganda, na África. Na época ele observou como as famílias se tornavam vulneráveis a doenças pela mera falta de sabão. Em 2009, morando em Atlanta, Estados Unidos, realizou o sonho de reciclar sobras dos sabonetes usados por hóspedes transformando-os em barras para distribuir entre refugiados, órfãos e desalojados em todo o mundo. Com a colaboração da esposa Sarah e da executiva de hotelaria Vicki Gordon, passou fins de semana coletando sabonetes usados em hotéis da cidade.

“A hotelaria joga fora por ano 800 milhões de sabonetes criando um imenso passivo ambiental, enquanto 2,4 milhões de crianças morrem em países subdesenvolvidos por falta de higiene, o que poderia se reduzir à metade se tivessem sabonete”, explica Kayongo. Na verdade, o sabão é mais efetivo no combate a doenças do que vacinas, medicamentos ou água limpa de forma isolada. Por exemplo, bastaria às parteiras lavar as mãos para baixar em 19% o índice de mortalidade nos nascimentos. O mesmo se aplica tanto para reduzir em 44% a diarreia, como em 46% a pneumonia em crianças com menos de cinco anos. A dura realidade é que a cada 30 segundos morre uma criança por falta de higiene.

Foi através de experiências bem sucedidas no porão da casa de Derek que nasceu o Global Soap Project (Projeto Global do Sabão). Hoje, com o apoio de voluntários, hotéis e patrocinadores, as camareiras recolhem sabonetes usados, que são enviados para processamento, e a seguir empacotados e enviados às áreas críticas. Criou-se assim uma corrente virtuosa da qual fazem parte, entre outros, cerca de mil hotéis das redes Hilton, IHG, Marriott, Hyatt, Super 8, Starwood, Wyndham; instituições como a CARE; e empresas como a HP, UPS, Coca-Cola e BCD Travel. Todos atuam em prol desta ONG que é líder em saúde, com instalações de reprocessamento de sabonete nos Estados Unidos, Europa e Ásia, distribuídos para 32 países de quatro continentes. Destes, a América do Sul é representada apenas pela Bolívia e Equador.

Os resultados impressionam. Em 2011 foram produzidas 130 mil barras de sabão, número que praticamente triplicou no ano seguinte, até atingir 1 milhão de unidades em 2013. “Estamos tão confiantes na pureza do produto que o usamos no trabalho e em nossas casas”, destaca Sam Stephens, Diretor Executivo do projeto.

A meta do Global Soap Project não é somente distribuir sabonetes: é preciso principalmente desenvolver o hábito de lavar as mãos, o que ocorre por meio de programas de educação realizados pela própria ONG.

O que surpreende neste projeto é o baixo custo. Bastam US$ 4 para assegurar o suprimento de sabonete por um ano para cada criança. Inexplicável mesmo é a total ausência de disseminação deste programa no Brasil. Mas isto pode mudar com a participação dos hotéis e pessoas interessadas. Saiba como no site da organização não governamental:
http://www.globalsoap.org



  • Fábio Steinberg

    Fábio Steinberg

    Jornalista, Foi Executivo de Comunicação na IBM, AT&T, HILL & KNOWLTON e Rede Globo

*Carioca radicado em Sao Paulo, é jornalista, consultor em comunicação empresarial e autor dos livros Ficções Reais, Viagens de Negócios e O Maestro. Escreve em diversas publicações e mídias sociais sobre viagens, carreira, negócios e comportamento.

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