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Maio/2014 - Fábio Steinberg

O que está acontecendo na Turquia?

Assuntos que antes da globalização pareciam pertencer apenas a quem os vivia em outras partes do mundo tornaram-se questões de interesse global. Um bom exemplo é a fascinante experiência que o Brasil está vivendo, alavancada pelas redes sociais. Com certeza as recentes manifestações na Turquia serviram de fonte de inspiração para os movimentos populares brasileiros.

O interessante é que, mesmo sem se conhecerem ou falarem um mesmo idioma, estabeleceu-se entre turcos e brasileiros um tipo de comunicação inédito, típico da nova era. Tanto os cartazes daqui manifestaram o seu agradecimento aos turcos pela ideia de convocar a ida às ruas para demonstrar o descontentamento com o governo por meio das redes sociais, como por sua vez eles demonstraram em suas manifestações o apoio à causa brasileira.

Apesar do modelo operacional de ambos os países ser essencialmente o mesmo, há grandes diferenças entre as reivindicações dos turcos e brasileiros. Quem explica isto é Kadir Koçer gerente em Istambul do Kosebasi Reina. De frente para uma deslumbrante vista para o Bósforo, trata-se de um restaurante que faz parte de uma bem sucedida rede que oferece comida turca de altíssima qualidade. Chegou até a abrir filial em São Paulo por uns meses, mas teve que adiar os seus planos para o Brasil devido a desavenças entre sócios locais.

Kadir, um profissional esclarecido e que domina vários idiomas, resume porque a população de seu país está se revoltando contra o governo. "As pessoas conhecem a Turquia como um país islâmico moderado, só que não é bem assim". E complementa: "Fundamos uma sociedade secular e crescemos em uma cultura que sempre foi tolerante com as diferenças. Nossas mulheres votam e elegem seus mandatários muito antes que a maioria dos países. A religião jamais foi usada como arma política. Nossos avós iam às mesquitas para rezar, mas também tomavam com os amigos raki, a bebida alcoólica típica turca e jamais alguém julgou ou foi julgado pelo seu estilo de vida. O islamismo nunca se tornou a principal identidade do país até a chegada deste governo", esclarece.

Para Kadir, a Europa e os Estados Unidos veem na Turquia um governo forte de uma economia em plena expansão, e um modelo de nação com predomínio muçulmano que pode servir como baluarte para o resto do Oriente Médio. Mas a realidade é outra.
"Nossos jornalistas estão sendo presos e o exército dispersado, enquanto o governo promove mudanças na Constituição sem perguntar nada a ninguém, visando atender o seu propósito, com a clara intenção de lentamente tomar a nossa liberdade. Estamos sendo jogados uns contra os outros com base na nossa origem e tipo de crença. É contra isto que estamos protestando. Queremos de volta os fundamentos originais que formaram a nossa república".

Kadir conclui: "O mundo precisa saber que as pessoas que se manifestam nas nossas ruas não são os turcos ou muçulmanos, ou liberais. São apenas cidadãos que exigem o retorno de sua identidade, uma conquista secular, unida sob uma única nação".


  • Fábio Steinberg

    Fábio Steinberg

    Jornalista, Foi Executivo de Comunicação na IBM, AT&T, HILL & KNOWLTON e Rede Globo

*Carioca radicado em Sao Paulo, é jornalista, consultor em comunicação empresarial e autor dos livros Ficções Reais, Viagens de Negócios e O Maestro. Escreve em diversas publicações e mídias sociais sobre viagens, carreira, negócios e comportamento.

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