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Abril/2014 - Fábio Steinberg

Hotelaria em alta rotatividade

Calcula-se que no Brasil pelo menos metade da mão de obra dos hotéis pede demissão a cada ano. Há poucas estatísticas sobre o assunto, e as que existem são parciais, o que impede uma fotografia precisa da situação no país. Um levantamento feito em 2012 pela CAPIH (Comissão dos Administradores de Pessoal da Indústria Hoteleira) com 27 hotéis chegou a uma taxa de turnover de 42%.
A situação ainda é pior nos Estados Unidos, onde as condições de empregabilidade na hotelaria, principalmente nas grandes redes, deveriam ajudar a reter mão de obra. Não é o que se vê. Segundo a Incentive Research Foundation, o turnover no país de hotéis e fast-food juntos atinge até 95%.
É 20 vezes maior que a média dos demais setores da economia americana, como se em um ano houvesse a troca completa de pessoal. A situação provoca pesadas despesas na seleção e treinamento de reposições, com custos equivalentes a até 200% do salário de cada empregado, e um prejuízo avaliado em U$ 140 bilhões.
É um erro atribuir o problema apenas aos salários. Na pesquisa citada, a CAPIH constatou que a remuneração e os benefícios não eram a principal razão dos desligamentos nos hotéis. Dos entrevistados, 64% atribuíram a decisão ao fato de terem de trabalhar em fins de semana e feriados e à escala de folgas, enquanto apenas 20% reclamaram dos salários. "Somando as baixas taxas de desemprego no Brasil com esse descontentamento, se formou a química fatal para aumentar os índices e o interesse em migrar para outros segmentos", explica Daniel Battistini, coordenador da CAPIH.
"Não se trata apenas de motivar pessoas, mas sim encontrar profissionais motivados que encontrem na hotelaria uma atmosfera ideal", afirma o especialista Marco Nussbaum. Para ele, predomina hoje uma gestão onde as ordens são dadas "de cima para baixo". Os jovens querem participar do processo de decisão, assumir responsabilidades, aprender e se desenvolver. "É preciso permitir ao colaborador atingir alto desempenho por si próprio. Este comportamento exige uma mudança de mentalidade do gerente de hotel", conclui Nussbaum.
Uma pista para decifrar o enigma da alta rotatividade veio de uma pesquisa feita este ano na Escola de Hotelaria da Universidade de Cornell, ao associar o elevado turnover ao desequilíbrio na relação entre casa e trabalho. "Se um funcionário está preocupado que sua atividade profissional afete as relações familiares, ele opta por deixar o emprego", afirma o professor Sean Way.
Some-se o choque de gerações, como revelam dois estudos da Escola de Hospitalidade da Universidade Estadual de Washington. A avalanche de demissões espontâneas no setor nos últimos anos tem raízes no abismo entre os valores e percepções de quem nasceu antes de 1964, os baby boomers, e após 1981, os milllennials, e o grupo espremido no meio, formado pela geração X. "Cada um é influenciado por fatores econômicos, adversidades e tecnologias. Enquanto os boomers vivem para trabalhar, os milennials trabalham para viver", conclui o professor Dogan Gursoy.


  • Fábio Steinberg

    Fábio Steinberg

    Jornalista, Foi Executivo de Comunicação na IBM, AT&T, HILL & KNOWLTON e Rede Globo

*Carioca radicado em Sao Paulo, é jornalista, consultor em comunicação empresarial e autor dos livros Ficções Reais, Viagens de Negócios e O Maestro. Escreve em diversas publicações e mídias sociais sobre viagens, carreira, negócios e comportamento.

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