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Março/2014 - Fábio Steinberg

Lições de Londres e Tóquio

Às vésperas da Copa e Jogos Olímpicos no Brasil, vale a pena observar o Japão, recém-selecionado para receber as Olimpíadas em 2020. Essencialmente, o país se fez duas perguntas. A primeira foi como capitalizar a altíssima exposição a ser proporcionada pelo evento. A segunda, como aprender com a experiência dos ingleses em 2012.

Em 1964, o Japão realizou uma Olimpíada que vendeu na época dois milhões de tickets, sabendo aproveitar a ocasião para se posicionar como potência econômica. Agora, o objetivo é usar o evento para superar sua estagnação e as cicatrizes deixadas pelo tsunami/terremoto de 2011.

“O Japão precisa de esperança e sonhos”, resumiu o Primeiro Ministro Shinzo Abe. Para receber oito milhões de visitantes em Tóquio, além dos investimentos em aeroportos e infraestrutura, será necessário renovar 15 estádios e construir outros 22. Em contrapartida, esse esforço deve gerar 150 mil empregos e injetar US$ 40 bilhões de na economia.

Quanto a Londres, nada a reclamar. Somados os resultados de um mês antes, durante e após as Olimpíadas de 2012, entraram nos cofres ingleses US$ 6,4 bilhões, 8% a mais que no ano anterior. Dos quase nove milhões de visitantes no período, 685 mil vieram ao país somente para assistir às Olimpíadas. Gastaram US$ 1,5 bilhão – em média, US$ 2 mil por pessoa, mais de duas vezes o dispendido em geral. Os hotéis londrinos registraram ocupação de 88.5%, e as diárias médias cresceram 3,8%. A frequência a museus, galerias e teatros da cidade também aumentou.

O evento deixou em seu rastro uma percepção positiva do país, transformada em bons resultados para o turismo um ano depois. Depois dos Jogos Olímpicos de 2012, nunca o país recebeu tantos visitantes. Só em julho de 2013, a renda chegou a US$ 4 bilhões, 23% maior que o ano anterior, um recorde histórico.

Além dos benefícios financeiros, a meta dos organizadores era projetar a Inglaterra como um destino hospitaleiro, criativo, dinâmico e divertido. A exemplo do que fez a Alemanha na Copa de 2006, o país investiu pesado em uma campanha publicitária e de relações públicas para promover sua cultura, tradição, geografia, esportes e negócios.

Uma pesquisa do NBI (National Brand Index), que serve para avaliar a imagem de 50 nações mais importantes, demonstra que a Inglaterra passou a ocupar o quarto lugar no ranking. Outro estudo revela que 63% demonstraram interesse em visitar o país, e 75% pretendem conhecer outras cidades inglesas.

Nada aconteceu por acaso. “Começamos a desenvolver nossa estratégia sete anos antes, logo que soubemos que Londres fora escolhida para sediar os Jogos”, revela Sandie Dawe, CEO da VisitBritain, agência que cuida do turismo no país. Ele conclui: “Estamos felizes de repassar nosso conhecimento para Tóquio, dentro do verdadeiro espírito olímpico”.

Ele fala em nome de uma Inglaterra orgulhosa de sua nacionalidade, que soube tirar proveito de um evento esportivo global para alavancar a imagem do país.

E o Brasil, como está se preparando?


  • Fábio Steinberg

    Fábio Steinberg

    Jornalista, Foi Executivo de Comunicação na IBM, AT&T, HILL & KNOWLTON e Rede Globo

*Carioca radicado em Sao Paulo, é jornalista, consultor em comunicação empresarial e autor dos livros Ficções Reais, Viagens de Negócios e O Maestro. Escreve em diversas publicações e mídias sociais sobre viagens, carreira, negócios e comportamento.

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