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Dezembro/2016 - Toni Sando

O gerúndio está prejudicando o turismo

Há uma explicação muito boa sobre o uso do gerundismo, utilizado com frequência por alguns atendentes de telemarketing. O famigerado “vou estar transferindo a ligação” se trata, na verdade, de um processo, enquanto “vou transferir a ligação” é uma ação completa. Um processo, por definição, dura um certo tempo, enquanto uma ação é momentânea, direta e assertiva. Algo pode dar errado no período em que um processo se dá, enquanto na ação não há margens para dúvidas sobre o resultado – ou que ao menos ele será atingido. Assim, o gerundismo garante uma margem de erro para quem fala, podendo ocorrer alguma falha durante o processo. Por exemplo, algo pode dar errado no meio do “vou estar transferindo”, enquanto o “vou transferir” não permite tal inconveniente. Em outras palavras, o gerundismo livra o locutor de qualquer responsabilidade de um resultado não satisfatório no fim do processo.

Esse mesmo entendimento pode se aplicar ao uso do gerúndio no turismo que, ainda que correto gramaticalmente, carrega o mesmo significado pejorativo do gerundismo. O setor de turismo e eventos no Brasil já tem um histórico de longa data de desenvolvimento por meio do proatividade da iniciativa privada, se organizando em entidades, frentes, grupos de trabalho e projetos, gerando emprego e desenvolvimento econômico dos destinos, além de cultivarem uma essencial independência na tomada de decisão e aplicação de seu capital e realização de investimentos. É o “vou transferir a ligação”. E assim o faz.

Por outro lado, o poder público, cujas pastas e ministérios muitas vezes são tratadas como moeda de troca de apoio político, aponta para o discurso do “estamos planejando”, “estamos unindo o setor”, “estamos fazendo”, com e mesma dialética inconclusa do gerundismo . É um eterno “vou estar transferindo a ligação”.

O que falta hoje, e que está prestes a mudar, é aplicar realidade ao discurso, para que se alinhe os objetivos do poder público e privado em prol do desenvolvimento do destino e do setor como um todo. A iniciativa privada, que dia a dia respira em diversos níveis a máquina da cadeia produtiva de turismo, eventos e negócios, tem o know how e entendimento das necessidades de incentivos e estrutura para o seu desenvolvimento. O poder público, por sua vez, precisa aumentar o diálogo com as empresas, empresário e executivos, para realizar ações das esferas executivas e judiciárias, que incentivem investimentos e crescimento, assim como a melhoria de vida e geração de emprego para a população.

O Brasil vive momentos turbulentos da economia e na política, com incertezas e surpresas mensais. Já São Paulo vive um contexto único e promissor, em que a palavra “gestão” tem atuado mais como verbo de ação do que as próprias falas conjugadas em gerúndio ouvidas até então.

É a hora em que o “estamos fazendo” vai dar lugar ao “fizemos”.


  • Toni Sando

    Toni Sando

    Presidente Executivo do São Paulo Convention & Visitors Bureau

*Presidente Executivo do São Paulo Convention & Visitors Bureau, Toni Sando tem em seu currículo graduação em Administração de Empresas pela Universidade São Judas Tadeu (USJT), cursou pós-graduação em marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), e tem MBA em gestão empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Seu histórico profissional inclui destacadas atuações nas áreas de operações, marketing, produtos e negócios no mercado financeiro (bancos Noroeste, Nacional e Unibanco). Durante sete anos dedicou-se à área de marketing da Accor Hotels na América do Sul.

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