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Maio/2016 - Toni Sando

Trabalho invisível, hóspedes visíveis

Deixar de ler o manual de instruções pode ser um grande problema. Você olha para cada peça de um belo armário que acabou de comprar e pensa: "Eu posso lidar com isso sozinho". De mangas arregaçadas e seguindo a lógica e a intuição, o novo móvel é montado passo a passo. No fim do processo, o armário está lá, pronto, mas estranhamente podem sobrar algumas peças e parafusos. "Devem ser desnecessárias ou vieram a mais", pensa-se. Mas a desagradável surpresa vem em breve, quando o armário, recheado de pertences, despencar.

Por fora, tudo parece certo, mas o "trabalho invisível" dessas peças é fundamental para a sustentação do móvel. Assim ocorre em qualquer setor economia.

Nos tempos atuais, onde o cenário político-econômico se mostra incerto, para não dizer extremo, é comum que as empresas passem a ter uma postura mais cautelosa com seus investimentos, buscando conter gastos e economizar. No setor de eventos não é diferente.

No dia a dia do trabalho de um Convention & Visitors Bureau (CVB) e no relacionamento com seus mantenedores, presenciamos diversas atitudes por parte das empresas das dezenas de segmentos que compõem a cadeia produtiva de turismo, eventos e viagens, que estão buscando por alternativas mais viáveis financeiramente. Atualmente, os visitantes, principalmente motivados pelo segmento MICE, estão com menos disponibilidade de permanecer mais tempo nos destinos; as empresas estão enviando menos profissionais para participarem de feiras e congressos; e, do outro lado, organizadores de eventos encaram grandes desafios na obtenção de patrocínios e tentam, de pequenas a grandes atitudes, promover economia nos gastos gerais, como, por exemplo, redução de serviços, de alimentos e bebidas, de equipamentos e até de decoração.

Com essa postura preventiva, é normal que se busque, em cada canto, por custos que possam ser eliminados. Neste momento, a leitura do manual e a consciência do "trabalho invisível" são essenciais para não se perder a base que garante a sustentabilidade do setor a curto, médio e longo prazo. Na hotelaria ou na sua agência corporativa, às vezes, na negociação, o comercial retira a cobrança do Room Tax, contribuição facultativa paga por hóspede por diária nos hotéis associados do CVB local, como forma de oferecer um menor valor no orçamento, mesmo que importantes eventos tenham vindo por meio do próprio CVB.

O Room Tax é a principal fonte de renda de um CVB e garante a continuidade do trabalho da entidade em captar e apoiar eventos nacionais e internacionais, promover destinos, atrair mais visitantes para a cidade e capacitar profissionais responsáveis em receber cada vez melhor os visitantes. Os CVBx no Brasil são entidades sem fins lucrativos, mantidas pela iniciativa privada, que envidam seus esforços para o incremento da atividade turística de forma independente e autônoma, sem vínculos com o poder público, ainda que sempre em contato e realizando ações conjuntas, tendo a UNEDESTINOS, União Nacional de CVBx e Entidades de Destinos, como um hub agregador.

Os CVBx e entidades de destinos associados da UNEDESTINOS se posicionam contra transformar o Room Tax facultativo em uma cobrança obrigatória, como acontece em alguns destinos internacionais. A entidade acredita que o sucesso de captar eventos, promover o destino e capacitar profissionais depende do trabalho e entendimentos entre o CVB local, a hotelaria e todos seus demais associados. Embora inconstitucional por bitributação, com o Room Tax obrigatório o recurso passaria aos cofres públicos que, pela legislação vigente, não seria transferido para entidades privadas, como CVBx.

Quando não se inclui o Room Tax nas negociações, se desparametriza do sistema ou não é mantido no balcão um display de orientação da importância da contribuição, compromete-se a sustentabilidade do setor a médio e longo prazo. Por isso, a real saída é unir esforços para que os eventos, encontros, reuniões e muito mais continuem acontecendo, com a relevância que lhe são devidas. Em São Paulo, por exemplo, o SPCVB, com esse recurso, já capacitou mais de 10 mil profissionais e, no momento, conta com a prospecção de mais de 400 eventos nacionais e internacionais para acontecerem até 2027.

Um único evento captado pode trazer milhares de visitantes de uma vez só. É um esforço concentrado que, se mantido, pode trazer retornos mais efetivos do que cortes de custos aparentemente superficiais. Tão superficiais quanto as peças e parafusos que podem derrubar um novo armário.


  • Toni Sando

    Toni Sando

    Presidente Executivo do São Paulo Convention & Visitors Bureau

*Presidente Executivo do São Paulo Convention & Visitors Bureau, Toni Sando tem em seu currículo graduação em Administração de Empresas pela Universidade São Judas Tadeu (USJT), cursou pós-graduação em marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), e tem MBA em gestão empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Seu histórico profissional inclui destacadas atuações nas áreas de operações, marketing, produtos e negócios no mercado financeiro (bancos Noroeste, Nacional e Unibanco). Durante sete anos dedicou-se à área de marketing da Accor Hotels na América do Sul.

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