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Março/2015 - Toni Sando

Figuras de linguagem no turismo

Voltando aos tempos de escola, entre diversas figuras de linguagem que enriquecem a literatura nacional, encontra-se a metonímia. Sua definição, entre algumas variantes, é simples: ocorre quando se troca a marca pelo produto ou a parte pelo todo. Exemplos não faltam, afinal, ninguém fala que toma achocolatado, que usa hastes flexíveis com algodão para limpar os ouvidos, que coloca amido de milho em suas receitas ou que precisa de palha de aço para lavar a louça. Da mesma forma, ao se falar em EMBRATUR, com 49 anos de história e trabalho, já se remete à mente uma entidade fomentadora e reguladora de todo o setor, nacional e internacionalmente.

Mesmo com um campo de atuação bem definido, cujo principal objetivo é promover o País no exterior, não seria uma surpresa se, em um pesquisa top of mind, a EMBRATUR aparecesse em primeiro lugar como principal agente do turismo no Brasil, mesmo com seu trabalho realizado além das fronteiras. Da metonímia, pulamos para o paradoxo.

Acredito que o próprio Ministério do Turismo, mesmo com seu esforço de representatividade, perca no quesito branding para o Instituto Brasileiro de Turismo. Até o último momento da reforma ministerial, não conhecíamos seu futuro que, dos males o menor, ficou "apenas" com o corte no início do ano, na ocasião da reestrutura do orçamento da União. Assim, do paradoxo vamos para o eufemismo.

Sabe-se que a cadeia produtiva de turismo, eventos e viagens, abrangendo o Mercado MICE, evolui do trabalho conjunto de toda a iniciativa privada, com seus investimentos e visão empreendedora; das entidades de classe e mercadológicas, que trabalham para desenvolver o setor como um todo e defender os interesses das empresas e profissionais; e do setor público, mantendo e melhorando a infraestrutura, transporte, políticas públicas e de segurança. Entre diversas marcas e siglas que representam todos os players do setor, por que não a EMBRATUR ser a porta-bandeiras, representando tanto o País no exterior, e também o turismo doméstico? De eufemismo, vamos ao neologismo: precisamos de uma bandeira, de uma In-BRATUR.

O know-how adquirido pelas equipes técnicas, que desbravam terras distantes, poderia ser incorporado com o mesmo entusiasmo para o mercado doméstico, junto com os esforços e experiência dos profissionais técnicos especializados que compõem o Ministério do Turismo. Pelo primeiro, grandes líderes passaram com suas equipes, entre eles João Doria Jr, Caio Luís de Carvalho, Eduardo Sanovicz (dando início ao Plano Aquarela) e Jeanine Pires, atraindo os olhos do mundo para o Brasil, e, atualmente, com Vinicius Lummertz, que tem boas intenções e propostas, mas, infelizmente, como se sabe, onde não há verba, não há verbo. Passando então, do neologismo, para prosopopeia e até por uma pequena aliteração.

Há diversos esforços realizados e reconhecidos internamente. A UNEDESTINOS surge como nova entidade para a troca de conhecimento entre os destinos nacionais; a ForEventos, unindo as entidades de classe; o CEVEC, com uma proposta inédita de indicadores do mercado de viagens, turismo e eventos corporativos; além de ações práticas, como o DescubraSP, da Secretaria de Turismo do Estado de São Paulo, São Paulo Turismo, APRECESP, São Paulo Convention & Visistors Bureau e cobertura da ABRAJET.

Muitas moedas apostam no turismo como peça-chave para enfrentar a crise econômica do País. Se tivermos lideranças, com executivos ou empresários sem interesses particulares ou mera vaidade, e políticos que de fato entendam a importância econômica do setor para o País, somando forças com profissionais exemplares, entre concursados e técnicos, com seriedade, competência e entusiasmo, o Brasil pode ser uma das maiores potências no setor em pouco tempo. E não se trata de hipérbole ou ironia.


  • Toni Sando

    Toni Sando

    Presidente Executivo do São Paulo Convention & Visitors Bureau

*Presidente Executivo do São Paulo Convention & Visitors Bureau, Toni Sando tem em seu currículo graduação em Administração de Empresas pela Universidade São Judas Tadeu (USJT), cursou pós-graduação em marketing pela Escola Superior de Propaganda e Marketing (ESPM), e tem MBA em gestão empresarial pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Seu histórico profissional inclui destacadas atuações nas áreas de operações, marketing, produtos e negócios no mercado financeiro (bancos Noroeste, Nacional e Unibanco). Durante sete anos dedicou-se à área de marketing da Accor Hotels na América do Sul.

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